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Guia para desconectar-se em tempos de zumbis tecnológicos

Algumas pessoas vivem hoje como zumbis tecnológicos

A velha sabedoria popular diz que a diferença entre o remédio e o veneno é a dosagem. Isso se vê hoje com a avassaladora onda tecnológica que, de certa forma, deixa as pessoas conectadas quase 24 horas do dia. Muita gente sendo envenenada pelo excesso de conexões. 
Essa corrida desenfreada para fuçar o insta de fulano, o último bafo do face, o vídeo zélezim no zap ou as muitas indiretas no twitter gera uma doença dos tempos modernos: o vício em conexões.
Uma doença conhecida desde os primórdios da internet, que alcançou o ápice com as plataformas mobile. Uma adicção muitas vezes disfarçada ou mesmo não percebida. É mais ou menos como o vício em drogas ou álcool. O viciado custa a assumir. 
De um lado vemos aquele viciado roots, que se tranca no quarto ou em outro ambiente e fica o dia inteiro na internet, saindo apenas para satisfazer as mínimas necessidades pessoais. Do outro, aquele “usuário” blasé que esconde debaixo dos lençóis aquela fuçadinha nas notificações logo de manhã e fica carente quando ninguém curte suas postagens nas redes sociais.
São diversas as manifestações deste problema. Mas talvez a raiz de todos os males é ânsia por não perder nada que julga de valor. A vontade de estar por dentro do que acontece nas redes sociais. Desejo de acompanhar a velocidade com que o mundo passa em nossa volta. 
Muitas pessoas vivem, por isso, numa manifesta angústia. Num mundo onde a informação é mercadoria, quase todos querem estar atualizados com os trends do momento e consideram que o vasto rastro digital nas mais diversas redes sociais é muitas vezes até mais importante do que estar com a família, plantar uma árvore ou escrever um livro.
Não é preciso doutorado em comunicação para saber que isso gera estresse. É impossível acompanhar essa onda. Cada dia surge uma nova modinha. TBT para cá, desafio de não sei o que para lá. Tem gente ganhando para criar essa onda. 
Quem procura seguir essa vibe vai acabar cansado, mesmo sem fazer nada, somente para se atualizar. E o que não falta são quarentões, cinquentões ou sessentões tentando ser up neste vasto mundo novo. 

Pressa faz mal à saúde
Por isto, vem ganhando força, silenciosamente, movimentos do tipo slow living e também da tribo minimalista oferecendo uma espécie de contracultura a essas tendências dominantes na vida e também no mundo digital nas redes sociais e na internet. Gente que volta a perceber a importância de estar desconectado, analógico, vivo, em carne e osso. É a simplicidade da sentença definitiva: menos é mais. 
Pessoas que vivem menos em “stories” da vida e mais em contemplação presente de coisas simples do dia a dia. Como alguns que voltaram às agendas e aos blocos de anotações de papel e deixaram a fé cega nos aplicativos digitais. Ou aqueles que conseguem ler um livro por horas regado a fartos goles de café.
O fato é que a excessiva conexão realmente se configura em uma das muitas distrações que roubam a nossa produtividade e a nossa qualidade de vida. Mesmo que esse alvo seja apenas ficar em casa cuidando das plantas, namorando ou vendo a sonolência indisfarçável dos felinos domésticos ao redor. 
Vale a pena desconectar-se. E perceber que há vida além dos muros da internet. Uma vida cuja referência reside em nossa memória. Com cheiros, sabores e saudades.

Eu também sofro com esse mal. Trabalhando com comunicação e recebendo centenas de mensagens por dia pelo email, whatsapp e ligações, tenho dificuldade de foco e de me desligar, sendo um superansioso da tribo do TDAH.

Para evitar adoecer desse mal, procuro adotar algumas regras (confesso que muitas vezes não consigo cumprir todas, mas sempre tento me redimir).

1 Celular somente depois do café

Muita gente não consegue conter a ansiedade. Também, tantas pessoas passam a madrugada no celular e não têm pudor em mandar mensagens nas mais altas horas. Logo cedo o celular está cheio de notificações. O ideal é avisar os amigos, colegas e familiares dessa regra: "se for urgente, me ligue!". 

Olhar as notificações logo ao acordar, além de estimular a indesejada ansiedade, também pode gerar frustrações e outros sentimentos ruins logo no início do dia. Melhor é buscar o Milagre da Manhã, bem zen nas primeiras horas do dia. Deixar a energia mental bem concentrada para o que vem pela frente, com foco na positividade. 

2 Celular dorme antes da gente

O celular é o livro de cabeceira de muita gente antes de dormir. Duas situações complicadas nisso aí. Primeiro, tem a exposição à luz que afeta o sono, um dos principais componentes de uma vida de qualidade. Depois, também gera ansiedade e frustrações dependendo do conteúdo acessado e dificulta a afirmação de coisas boas antes de dormir. Pesquisas mostram os efeitos danosos do abuso do celular antes de dormir

Minha ansiedade e dificuldade para desligar a mente sempre me fez ler antes de dormir. Pelo menos uma meia hora. Durante muito tempo fiz leitura no celular para evitar luzes indevidas e não atrapalhar o sono da minha esposa. Agora troquei pelo Kindle e estou celebrando essa nova fase sem as distrações para atrapalhar minha leitura. 

3 Nem email e nem Whatsapp governam minha agenda

Durante muito tempo trabalhei com os emails abertos e deixei as notificações do Whatsapp vivas, sempre me interrompendo. Vivia num estresse e tinha muita dificuldade em manter e depois retornar ao foco. Ainda hoje vivo as minhas batalhas diárias, ora vencendo, ora sendo um derrotado. 

Mas para facilitar a vida, abro agora os email e as notificações do zap em momentos específicos do dia. Infelizmente, no meu trabalho ainda recebo muitas ligações de gente perguntando se vi o email ou se poderei atender à demanda apresentada. Preciso ser educado, mas firme para manter minhas regras.  

4 Controlo meus acessos às redes sociais

Não dá para vivar duas vidas, uma presencial e outra digital, como um avatar de você mesmo. As redes sociais exigem tempo demais. Enquanto você não tomar uma decisão de não ser refém dessa onda, vai ser difícil alcançar uma plenitude na vida analógica, o que deveria ser norma ao meu entender. 

Para fugir disso, também defino horários para o acesso às redes sociais e verifico minha presença nesses meios através de aplicativos que mensuram nossa atividade ali. A meta é não ficar escravo, principalmente agora, quando esse meio está cheio de radicais, intolerantes, hatters, stalkers e outros tipos desprezíveis. 

5 Defino metas para minha vida analógica

De nada adianta fugir da vida digital se não fortalecermos os laços na vida orgânica, analógica. Porque nós fomos feitos para existir. Os mais ansiosos, principalmente, sempre na ânsia de estar onde pensam que deveriam estar. 

Eu defino meta diária de leitura, de estudo, de escrita, de exercício e outras coisas que me fazem estar vivo, analogicamente falando. Também defino passeios e outros eventos que me forçam a sair da zona de conforto e da acomodação.  

Enfim, são essas algumas das estratégias que utilizo para quebrar com a tendência ao excesso de conexão digital. E você? Me conte aí nos comentários o que faz para fugir dessa doença digital. 



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