Dez coisas que todo autista gostaria que você soubesse

Marcos Petry participou do programa Encontro
O dia de hoje é dedicado à conscientização sobre o autismo, uma data criada pela Organização das Nações Unidas para incentivar a valorização do autista e ampliar os debates em torno da inclusão dos portadores do espectro autista.

Aproveitando a data, trago aqui dois vídeos do Marcos Petry, youtuber, escritor e palestrante, autor do canal "Diário de Um Autista", com 69 mil inscritos no YT, revelando "10 coisas que todo autista gostaria que você soubesse". Marcos também é musicista e fluente em três idiomas: inglês, alemão e espanhol.

Interessante no vídeo é entender o tema sob a perspectiva de um autista altamente funcional e com grande capacidade de expressão verbal. Ajuda a tirar muitos mitos em torno do Transtorno do Espectro Autista e a mostrar que um adulto autista pode alcançar um alto nível de desenvolvimento pessoal, sendo autônomo e verbal.

Como o próprio Marcos explica no vídeo, a ideia é mostrar caminhos para que as pessoas e a comunidade auxiliem na inclusão dos autistas ao se despirem de preconceitos e conceitos equivocados sobre os portadores do transtorno.

Marcos gravou o vídeo com Mayra Gaito, neurocientista e especialista em desenvolvimento infantil que também possui um canal no YT com 103 mil seguidores, falando de autismo e desenvolvimento infantil. Mayra explica que Marcos é a materialização de seu sonho. "Você é a imagem daquilo que eu vivo para fazer", disse.

Mas vamos lá às "10 coisas que todo autista gostaria que você soubesse"

Petry também é musicista. Toca violão e guitarra

1  Sutilezas me distraem

Os autistas têm dificuldade na leitura de nuances e outras sutilezas nos olhos e nos demais movimentos corporais. Coisas que são quase totalmente automáticas para os neurotípicos geram distração visual para muitos autistas, ocasionando uma sobrecarga emocional. Por conta disso, muitos não gostam de olhar nos olhos do interlocutor para não dispersar.


2 É difícil interpretar emoções

Também é complicado para os autistas decodificarem expressões de dor, física ou emocional e outros sentimentos. Isso gera uma série de preconceitos principalmente relacionados à vida afetiva dos autistas. Alguns apontam equivocadamente que os autistas são incapazes de amar.

3 Ordens complexas são difíceis de entender

É mais fácil para os autistas realizar ações a partir de comandos mais simples, quebrando o todo em pequenas partes. Excesso de informação complica a decodificação e muitas vezes gera frustração. Para eles, é preciso uma coisa de cada vez para não desencadear um estresse mental.

Os autistas têm uma latência maior para concentrar em determinado foco e demoram mais para reajustar quando têm a atenção desviada. Excesso de informação causa sobrecarga na atenção.

4 Metáforas também são difíceis de entender

Expressões coloquiais tipo "vai num pé e volta no outro" são extremamente complexas para uma mente autista sempre concentrada em detalhes. Por isso, é importante a clareza na comunicação numa interlocução com autistas. Situação que fica ainda mais recorrente na adolescência e na fase adulta quando o repertório das pessoas neurotípicas é bem mais simbólico.

5 Tocar com calma e sempre perguntar

O autista processa os estímulos do toque de maneira muita intensa, principalmente aqueles hipersensíveis. Isso exige sensibilidade da outra pessoa para perceber a intensidade do estímulo com a recepção do toque. Na dúvida, é sempre bom perguntar antes para não sobrecarregar e incomodar a sensibilidade do autista que algumas vezes sente repulsa ao toque.

6 Me ame!!

Apesar de alguma dificuldade de relacionamento, no toque e, em alguns casos, até de comunicação, o autista é um ser humano que precisa se sentir amado, respeitado. O autista utiliza outras vias de expressão do afeto. Ao neurotípico cabe conhecer e sentir esse amor mesmo que seja preciso quebrar paradigmas na sua forma de ver e entender as coisas. Muitos autistas precisam ouvir que são amados.

7 Tenham iniciativa de contato

Mesmo com a dificuldade na comunicação e nos relacionamentos, o autista gosta e precisa estar próximo de pessoas. Algumas vezes eles têm dificuldade em tomar a iniciativa do contato, mas esperam que a outra pessoa o faça.

8 Os meus sentidos são desajustados

A sensibilidade do autista faz com que alguns sentidos sejam prevalentes sobre os demais. Às vezes a audição ou a visão do autista são muito aguçados e eles acabam sendo responsáveis por muitas crises que os autistas enfrentam. O barulho ou o excesso de luminosidade podem fazer com que o autista se sinta estressado e sobrecarregado com vontade de ir embora. Para alguns pode ser o paladar ou o toque com hipersensibilidade.

9 O autista pode não ouvir quando chamado

Muitas vezes o autista luta contra outros estímulos e não percebe que estão falando com ele. Coisas que são naturais para os neurotípicos exigem uma grande organização para os autistas.

10 Use apoio visual para explicações

Descrições ajudam o autista a entender contextos. Aquela máxima, "preciso desenhar?" muitas vezes é importante para o autista fortalecer referências.

Essas foram as excelentes dicas do Marcos Petry para as pessoas que pretendem entender o universo do autismo. Que ajude na inclusão e no relacionamento com essas pessoas especiais.














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