Dez coisas que todo autista gostaria que você soubesse

Pedra, papel e tesoura ajudam a desconectar do padrão digital

Todos estamos de certa forma estupefatos com essa onda avassaladora da informação e da tecnologia. Aquilo que deveria servir para dar agilidade à vida acaba por nos asfixiar e nos deixar sem tempo de qualidade para muita coisa importante. Isso, é óbvio, potencializa ansiedades e o estresse tão comuns nos dias de hoje.

Para fazer frente a tudo isso é importante quebrar alguns dos paradigmas destes novos tempos. Uma sugestão que considero interessante para romper com esse ritmo que tenta nos aprisionar é buscar opções analógicas ao padrão digital e tecnológico.

Isso inclusive nas diversões, nos relacionamentos, nas comunicações e no conhecimento. Por isso, neste texto trago algumas dicas para reduzir o impacto da tecnologia na ansiedade principalmente daqueles que são neuroatípicos.



1 Aproveitar oportunidades para escrever a mão 🎯

Uma coisa deliciosa que voltei a fazer é escrever a mão. Que coisa fantástica é poder externalizar os pensamentos com caneta e papel. Parece que o ritmo do pensamento pulsa de maneira diferenciada.

É uma sensação estranha perceber, às vezes, que estamos um pouco enferrujados com a empunhadura do lápis ou da caneta. Isso remete muito à minha infância, quando gastava horas do dia desenhando com os amigos. 

Escrevendo a mão ampliamos as conexões cerebrais entre o que é escrito e o nosso entendimento o que facilita a absorção da informação e a sua aplicação prática. Nos ajuda a focar no essencial e a reter conceitos.




2 Utilizar sistemas de organização no papel 🎯

O uso de cadernos para o trabalho e sistemas de organização no papel tipo agenda, planner e bullet journal são ferramentas indicadas para sair um pouco da ditadura dos aplicativos. Tá certo. O smartphone serve para muita coisa, mas ele não precisa ser usado para tudo como uma panacéia tecnológica.

Tem gente que aceita até sair sem calças, mas se sente nu na alma sem o seu celular. Para muitos, esse aparelho faz até mesmo as funções que deveriam ser do cérebro o que limita ainda mais o seu desenvolvimento.

O uso de sistemas no papel reforçam uma relação orgânica das pessoas com suas atribuições, ampliando o comprometimento com essas atividades. Ao mesmo tempo, ajudam a diminuir a dependência da conexão digital e o alto risco de distrações.



3 Procurar diversão com jogos de mesa, tabuleiros, cartas e outros 🎯

Os jogos de mesa, tabuleiro e outros com peças ou cartas também ajudam romper com essa ditadura tecnológica. São dezenas de opções. Dos jogos de emoção e suspense aos desafios de conhecimento, são muitas as variações. Jogos de cartas ou dominó também são bem interessantes.

Além disso, estimulam uma interação presencial de amigos e parentes, aumentando o relacionamento. Eles oferecem liga para uma maior interação e empatia. São como uma graxa para lubrificar engrenagens, diminuindo o ruído e o desgaste entre as peças.



4 Fazer passatempos diversos em revistas ou jornais 🎯

Outra coisa interessante nesta pegada analógica são as revistas de caça-palavras, jogos dos erros, palavras cruzadas, soduku e outros. São passatempos divertidos e instrutivos que ajudam a ampliar o nosso repertório linguístico e a capacidade de fazer associações. 

Muitas pessoas levam bem a sério as palavras cruzadas e os jogos dos sete erros. Nos jornais impressos que publicam esse tipo de divertimento para os leitores é dado um tratamento especial para esta seção.



Poucas vezes vi alguém ligar para jornal reclamando de uma notícia. Mas tente errar na solução da palavra cruzada….Vai ter ligação na certa. Mais de uma vez recebi ligação telefônica de leitor revoltado com esse tipo de equívoco editorial.

São atividades que estimulam a mente. Também são educacionais ajudando a ampliar o conhecimento e o repertório linguístico.



5 Criar grupos para compartilhar experiências de forma presencial 🎯

Não poderia terminar esse texto sem referência às rodas de conversas presenciais que eram frequentes em frente das casas, nos pátios, calçadas, portões e até em cima de árvores.

Que tal participar de uma espécie de confraria com amigos que têm o mesmo gosto especial que você? Pode ser por hobbie, estudo, comida, bebida ou até mesmo afinidade religiosa. O importante é estar rodeado de pessoas, respeitando é claro o timing de cada um, principalmente quando lidamos com pessoas neuroatípicas.

Hoje tentam substituir essa interação com os grupos de whatsapp e a existência virtual nas redes sociais. Mas nunca estes espaços terão o acréscimo de prazeres como um cafezinho recém-saído do coador, exalando odores e memórias que nunca estarão vivas no mundo digital. 

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